A fertilidade feminina é resultado de um delicado equilíbrio hormonal e biológico. Regulada por hormônios como FSH, LH, estrogênio e progesterona, ela está diretamente ligada ao ciclo menstrual e à ovulação. O potencial reprodutivo costuma atingir seu pico entre os 20 e 30 anos, diminuindo gradualmente após os 35, quando ocorre redução da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos, se encerrando na menopausa.
Nas últimas décadas, mudanças sociais também passaram a influenciar esse cenário. Cada vez mais mulheres optam por adiar a maternidade em função da carreira, da busca por estabilidade financeira ou da formação acadêmica. Segundo a ginecologista Dra. Alessandra Lofiego, esse movimento reflete conquistas importantes, mas exige informação e planejamento.

“Cada vez mais vemos mulheres postergando a maternidade em função da carreira, estabilidade financeira, mestrado, doutorado e crescimento profissional. Esse movimento é legítimo e reflete conquistas sociais importantes construídas ao longo das últimas décadas. No entanto, a fertilidade feminina é impactada pela idade, o chamado relógio biológico”, destaca Lofiego.
A médica explica que muitas pacientes chegam ao consultório já enfrentando dificuldades para engravidar, o que exige avaliação cuidadosa e planejamento específico para cada casal. Nesse processo, ela também destaca a importância da escuta e do acolhimento durante o acompanhamento. “Costumo dizer que casais tentantes são muito sofridos.”
Para a Dra. Hanna Dias, ginecologista e obstetra, além da idade, fatores do cotidiano têm impacto direto na fertilidade. “O adiamento da maternidade, somado a estresse crônico, alimentação inadequada, ausência de rotina de sono e sedentarismo resultam em aproximadamente 15% dos casais com dificuldade de engravidar”, pontua a médica.

Segundo ela, preparar o organismo antes de iniciar as tentativas pode contribuir para melhores resultados. “Ajustes na alimentação e na rotina do sono, atividade física regular e o uso de suplementação personalizada são alguns pilares para diminuir a inflamação crônica e melhorar a qualidade dos seus óvulos.” E reforça: “Quando se trata de fertilidade, tempo é mais do que ouro. Tempo é óvulo!”
A infertilidade, no entanto, não deve ser analisada apenas do ponto de vista feminino. O ginecologista e obstetra Dr. Bernardo Tostes explica que o desafio envolve diferentes fatores. “A infertilidade conjugal é um desafio crescente na prática médica, envolvendo fatores femininos, masculinos e ambientais”, pontua.
Entre os aspectos investigados atualmente está o estresse oxidativo, associado a danos celulares e à redução da qualidade dos óvulos e espermatozoides. Vitaminas, minerais e compostos antioxidantes vêm sendo estudados como estratégias complementares, sempre dentro de uma avaliação clínica individualizada.

Nesse cenário, um tratamento personalizado ganha cada vez mais espaço. Maria Amélia Noriega, proprietária da Agua Viva Farmácia de Manipulação, explica que a manipulação assume papel estratégico ao possibilitar fórmulas personalizadas, ajustadas às necessidades específicas de cada paciente.
“Ativos como mio-inositol, coenzima Q10, metilfolato e moduladores hormonais manipulados contribuem para o equilíbrio endócrino, melhora da qualidade ovocitária e espermática, além do preparo adequado do endométrio para a implantação embrionária”, destaca Amélia.
Segundo ela, fórmulas manipuladas permitem ajustar doses e associações de ativos de acordo com as necessidades de cada caso. “A personalização das doses, associações e formas farmacêuticas favorece maior adesão e precisão terapêutica”.
Assim, o cuidado com a fertilidade passa por uma abordagem integrada, que reúne acompanhamento médico, hábitos de vida equilibrados e tratamentos personalizados. Mais do que pressa, o processo exige atenção ao próprio corpo e ao tempo.
AGUA VIVA
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