Marcas macaenses ganham força no franchising

O franchising brasileiro segue em ritmo acelerado de crescimento. Quem diz é a Associação Brasileira de Franchising (ABF), setor que movimentou mais de R$ 300 bilhões só em 2025 e mantém projeções positivas para os próximos anos. No Brasil, milhares de empreendedores enxergam nas franquias uma oportunidade de expansão estruturada e sustentável.

Na cidade de Macaé, esse movimento tem rosto e história local. Por trás de marcas que hoje ultrapassam fronteiras estaduais estão empreendedores que começaram pequenos e enfrentaram desafios comuns a qualquer negócio até transformar suas ideias em operações capazes de se multiplicar pelo Brasil. Alguns descobriram o potencial de expansão ao longo do caminho. Outros, já nasceram com vocação para crescer. Em comum, todos transformaram experiências locais em modelos de negócio capazes de ultrapassar fronteiras.

Patrícia Luzie, Felipe Ribeiro e o filho Caleb na franquia do Barra Shopping. O casal criou a Calebito em 2019 e o sucesso os levou a franquiar a marca, sem perder a qualidade do produto artesanal. Hoje, são 5 lojas próprias e 27 franqueadas entre os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. (Foto arquivo)
Patrícia Luzie, Felipe Ribeiro e o filho Caleb na franquia do Barra Shopping. O casal criou a Calebito em 2019 e o sucesso os levou a franquiar a marca, sem perder a qualidade do produto artesanal. Hoje, são 5 lojas próprias e 27 franqueadas entre os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. (Foto arquivo)

O sabor de crescer sem perder a identidade

Muito antes de pensar em franquias, Filipe Ribeiro e Patrícia Luzie estavam ocupados com algo bem mais simples: fazer um sorvete que conquistasse os clientes. Foi assim que, em 2019, nasceu a Calebito Sorvetes Artesanais, em uma pequena loja, que tinha lotação limitada. A receita foi apostar numa produção artesanal, com identidade e sabores que rapidamente caíram no gosto do público. Na época, ninguém — nem seus criadores — imaginava que aquele negócio se transformaria em algo maior.
Com o movimento crescente da loja, veio também uma pergunta que, até então, parecia distante: seria possível levar a marca para outras cidades sem perder aquilo que a tornou especial? A resposta exigiu planejamento, estrutura e, principalmente, capacidade de transformar a experiência construída em Macaé em um modelo que pudesse ser replicado. “Foi um processo gradual. Antes de abrir novas unidades, analisamos tudo, organizamos procedimentos, testamos formatos e criamos mecanismos que garantem o mesmo padrão em qualquer endereço”, explica Filipe.
Para Patrícia, o crescimento só faria sentido se a qualidade fosse preservada. “A gente precisava ter certeza que entregava um produto de qualidade, e assim o fizemos. É algo de que nunca vou abrir mão”, resume.

Hoje, a Calebito Sorvetes Artesanais conta com cinco lojas próprias e 27 unidades no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, além de uma fábrica, que garante uma operação de insumos segura, permitindo manter o padrão dos produtos sem perder as características que ajudaram a transformar o negócio em uma marca de sucesso.

Isabel Tunas criou a Facilitoy em 2020, após ser mãe. Dois anos depois, sua empresa chamou a atenção da empresária Carol Paiffer, no Shark Tank, que virou sua sócia e, hoje, tem franquias em mais de 150 cidades do país e iniciou sua expansão para Orlando, nos EUA. (Foto Alle Tavares)
Isabel Tunas criou a Facilitoy em 2020, após ser mãe. Dois anos depois, sua empresa chamou a atenção da empresária Carol Paiffer, no Shark Tank, que virou sua sócia e, hoje, tem franquias em mais de 150 cidades do país e iniciou sua expansão para Orlando, nos EUA. (Foto Alle Tavares)

Transformar diversão em oportunidade

Quando criou a Facilitoy, Isabel Tunas enxergou uma oportunidade em um mercado pouco explorado. A proposta era ousada: oferecer brinquedos para festas e famílias por meio de assinaturas, criando uma alternativa mais econômica, prática e sustentável.

Após a maternidade, em 2020, a empresária passou a enxergar novos caminhos. O que começou como uma solução para uma necessidade própria acabou se transformando também em uma oportunidade para que outras mulheres empreendessem por meio da marca. “Percebi que existia uma solução mais viável para outras famílias”, relembra.

O ponto de virada veio dois anos depois, quando Isabel apresentou a Facilitoy no Shark Tank Brasil, reality show que coloca empreendedores frente a frente com investidores. Na época, a empresa estava presente em apenas 15 cidades. A proposta chamou a atenção da empresária Carol Paiffer, que se tornou sócia da operação. “A entrada dela trouxe muito mais do que investimento. Veio experiência, estratégia e uma visão ainda mais ampla sobre o potencial do negócio”, conta.

Hoje, a Facilitoy está presente em cerca de 150 cidades brasileiras e já iniciou sua expansão internacional com uma operação em Orlando, nos Estados Unidos. “Muita gente procura uma franquia esperando encontrar uma fórmula pronta para ganhar dinheiro. O que a gente entrega é um modelo validado, mas que exige dedicação, trabalho e comprometimento de quem decide empreender”, destaca Izabel.

Juliano Fonseca com Érica Mendes na Âmbar+Ana Botafogo. Depois de certificar a empresa na ABF, eles fecharam a parceria com Ana Botafogo. Hoje, possuem cinco unidades próprias, 32 licenciadas e mais de duas mil escolas de dança mentoradas em diferentes regiões do país. (Foto Alle Tavares)
Juliano Fonseca com Érica Mendes na Âmbar+Ana Botafogo. Depois de certificar a empresa na ABF, eles fecharam a parceria com Ana Botafogo. Hoje, possuem cinco unidades próprias, 32 licenciadas e mais de duas mil escolas de dança mentoradas em diferentes regiões do país. (Foto Alle Tavares)

Quando a arte encontrou novos palcos

Se alguns negócios encontraram no franchising uma forma de expandir produtos, a Âmbar+Ana Botafogo precisou aprender a multiplicar experiências. A história da marca, porém, começou muito antes da parceria que hoje une o nome da renomada bailarina à escola de dança.

A história começou antes mesmo da expansão. Depois de anos dedicados ao ensino da dança dentro de uma academia, Érica Mendes inaugurou, em 2005, a primeira unidade própria da Âmbar Escola de Dança. O projeto cresceu, consolidou uma metodologia própria e passou a atrair alunos de diferentes cidades, dando origem a espetáculos autorais e a uma trajetória que ultrapassou os limites de Macaé.

Juliano Fonseca passou a integrar a gestão e a estruturar os planos de expansão. A ideia de franquear surgiu ainda em 2012. “O maior desafio foi transformar um negócio baseado em pessoas, arte e relacionamento em um modelo replicável. Precisávamos garantir que a experiência fosse a mesma em qualquer cidade”, afirma.

Esse trabalho tornou a Âmbar a primeira empresa do segmento da dança associada à Associação Brasileira de Franchising (ABF). A parceria com Ana Botafogo veio depois. Antes de associar seu nome à escola, a bailarina visitou unidades, acompanhou aulas, assistiu espetáculos e conheceu de perto a metodologia e a gestão da empresa.

Hoje, a Âmbar+Ana Botafogo reúne cinco unidades próprias, 32 licenciadas e mais de duas mil escolas de dança mentoradas em diferentes regiões do país. “A dança sempre foi uma ferramenta de transformação. O nosso propósito sempre esteve ligado ao desenvolvimento das pessoas por meio da arte”, destaca Érica.

Tiago Lopes criou a American Insight em 2013. O primeiro passo para franquear a empresa foi construir uma metodologia capaz de crescer junto com a marca. Hoje, a rede soma 18 unidades em operação e outras quatro em implantação. (Foto Alle Tavares)
Tiago Lopes criou a American Insight em 2013. O primeiro passo para franquear a empresa foi construir uma metodologia capaz de crescer junto com a marca. Hoje, a rede soma 18 unidades em operação e outras quatro em implantação. (Foto Alle Tavares)

Falando a língua do crescimento

Nem toda expansão começa pela abertura de novas unidades. No caso da American Insight, o primeiro passo foi construir uma metodologia capaz de crescer junto com a marca. Fundada por Tiago Lopes, em 2013, a escola de idiomas nascida em Macaé passou os anos seguintes aperfeiçoando processos acadêmicos e de gestão que, mais tarde, sustentariam sua expansão para outros estados.

O resultado desse trabalho levou a American Insight a se tornar a primeira empresa macaense associada à Associação Brasileira de Franchising (ABF), um marco na trajetória da escola e na consolidação do seu modelo de crescimento.

Muita gente pensa que franquear é apenas vender uma marca. Na verdade, é preciso entregar conhecimento, suporte e ferramentas para que outras pessoas consigam reproduzir o negócio com qualidade. O grande desafio não é crescer, mas garantir que cada unidade entregue a mesma experiência e mantenha os padrões que construíram a reputação da marca”, explica Tiago.

Hoje, a rede soma 18 unidades em operação e outras quatro em implantação, consolidando uma trajetória que começou em Macaé e ganhou alcance nacional.
Para Tiago, o crescimento da marca é também um reflexo da força do empreendedorismo fora dos grandes centros. “Quando existe método, gestão e propósito, é possível construir marcas fortes em qualquer lugar”, destaca.

Guilherme Reche, coordenador regional do Sebrae Norte Fluminense. A instituição oferece apoio por meio de consultorias, capacitações e planejamento estratégico, aos empresários, para buscar novos mercados. (Foto arquivo)
Guilherme Reche, coordenador regional do Sebrae Norte Fluminense. A instituição oferece apoio por meio de consultorias, capacitações e planejamento estratégico, aos empresários, para buscar novos mercados. (Foto arquivo)

O caminho antes da expansão

O crescimento de marcas macaenses no franchising também é reflexo de um ambiente empreendedor mais estruturado. Para o coordenador regional do Sebrae Norte Fluminense, Guilherme Reche, o apoio oferecido pela instituição, por meio de consultorias, capacitações e planejamento estratégico, ajuda empresários a preparar seus negócios para novos mercados. “Quando empresas locais conseguem expandir para outros mercados, elas demonstram que é possível desenvolver negócios competitivos, inovadores e escaláveis fora dos grandes centros econômicos”, finaliza.

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