Careca em alta: homens assumem o visual com estilo, atitude e autoconfiança

Com a influência de astros de Hollywood, como Dwayne ‘The Rock’ Johnson e Vin Diesel, ter a cabeça raspada virou sinônimo de autoconfiança. E pesquisas recentes quebraram um antigo tabu, mostrando que os calvos estão virando o jogo com estilo. Um estudo realizado pelo site britânico Illicit Encounters com cerca de 2 mil mulheres apontou que, aproximadamente, 40% delas consideram homens carecas atraentes, colocando a calvície entre os atributos físicos mais valorizados, atrás apenas do porte físico musculoso (42%), e a associando a características como maturidade, confiança, inteligência, educação e honestidade.

Para o barbeiro Darlan Lisboa, equilibrar o visual da careca com uma barba bem cuidada é uma assinatura de atitude. As três barbas mais procuradas são a espartana, a quadrada e a italiana. (Foto Alle Tavares)
Para o barbeiro Darlan Lisboa, equilibrar o visual da careca com uma barba bem cuidada é uma assinatura de atitude. As três barbas mais procuradas são a espartana, a quadrada e a italiana. (Foto Alle Tavares)

Os dados reforçam que manter o visual em dia é a melhor arma para ser um careca bem resolvido e admirado. Uma das opções para isso é o visagismo. A técnica de consultoria de imagem personalizada cria uma harmonia entre a aparência externa e a personalidade, com base na análise de formato do rosto, traços e proporções. Assim, é possível combinar a forma como cada um se vê com a maneira como passará a ser visto, explica o barbeiro Darlan Lisboa.

Os homens não esperam mais perder 90% dos fios para então raspar a cabeça e se sentirem mais confiantes. Mas há uma série de fatores que têm forte influência no visual e devem ser levados em consideração, como a ausência ou predominância de barba, bochecha (maçã do rosto), maxilar, papada, tamanho e formato do crânio e do rosto (quadrado, largo, redondo, triângulo, diamante), porque quem toma essa decisão não quer só raspar o cabelo, mas ter uma boa imagem”, explica.

De acordo com Darlan, equilibrar o visual da careca com uma barba bem cuidada é uma assinatura de atitude. “O tamanho e o formato da barba variam muito, mas atualmente as três barbas mais procuradas são a espartana, a quadrada e a queridinha do momento, a italiana. Mas o tradicional cavanhaque ainda é marca registrada de quem não troca o estilo”, pontua.

O barbeiro lembra ainda que há recomendações aos que exibem suas carecas com orgulho. “O uso de óleos ou cremes hidratantes no couro cabeludo ajuda a evitar ou controlar o ressecamento. E, para quem toma sol, protetor solar ou boné são cuidados obrigatórios”, alerta.

Lucas Ramos, criador da página Qualidade Macaé, se libertou da pressão estética e raspou a cabeça há cinco anos, combinando com a barba. Para ele, que trabalha diretamente com a imagem apresentando os negócios, ser careca passou a fazer parte da sua identidade. Entre a maioria dos seus seguidores, o visual foi aprovado. (Foto Alle Tavares)
Lucas Ramos, criador da página Qualidade Macaé, se libertou da pressão estética e raspou a cabeça há cinco anos, combinando com a barba. Para ele, que trabalha diretamente com a imagem apresentando os negócios, ser careca passou a fazer parte da sua identidade. Entre a maioria dos seus seguidores, o visual foi aprovado. (Foto Alle Tavares)

Internet impulsiona mudança

Nos últimos anos, as plataformas digitais, fóruns online e redes sociais têm ajudado na revisão de valores estéticos acerca da calvície masculina. Uma das páginas mais populares no Instagram sobre o assunto, o “Guia do Careca”, por exemplo, foca em libertar o homem da vergonha e prega a filosofia “Careca sim, calvo jamais”, mostrando como assumir o novo visual eleva a confiança.

Outros influenciadores digitais têm reforçado esse movimento ao expor suas próprias trajetórias. Quem segue Lucas Ramos desde a criação da página Qualidade Macaé em 2018, acompanhou sua jornada até se libertar dessa pressão estética. Para ele, que trabalha diretamente com sua imagem, apresentando os negócios e dando dicas de roteiros turísticos e curiosidades culturais da região, ser careca passou a fazer parte da sua identidade. E, entre a maioria dos seus seguidores, o visual foi aprovado.

No começo, foi um pouco estranho para mim e para as pessoas, mas depois, deixando a barba crescer mais, eu curti, pois combinou com o meu formato de rosto e com o meu estilo de vida. A maturidade trouxe aceitação de que é um visual que passa mais credibilidade do que com falhas no cabelo”, relata.

Lucas já recebeu propostas de parceria para tentar algum tipo de tratamento ou implante, mas não pensa em muda. “Já chegaram propostas, mas recusei. No momento, me sinto bem assim. E creio que as pessoas também acham estiloso, já que a maioria elogia e diz que combina com o meu biotipo”, conta.

O empresário Wellington Fernandes redefiniu sua relação com padrões ainda na adolescência, quando adotou o cabelo mais baixo. Depois, assumiu raspar a cabeça que, além da praticidade, também o ajuda na sua imagem profissional como corretor de imóveis. (Foto Alle Tavares)
O empresário Wellington Fernandes redefiniu sua relação com padrões ainda na adolescência, quando adotou o cabelo mais baixo. Depois, assumiu raspar a cabeça que, além da praticidade, também o ajuda na sua imagem profissional como corretor de imóveis. (Foto Alle Tavares)

Estilo e credibilidade

A construção de identidade a partir dessa mudança de mentalidade vai além das telas. O empresário Wellington Fernandes redefiniu sua relação com padrões ainda na adolescência, quando adotou o cabelo mais baixo. Para ele, assumir uma posição ativa diante da própria imagem e ter um estilo autêntico só o ajuda.

Ao longo do tempo, você vai percebendo que, para a praticidade do dia a dia, é mais fácil você manter o cabelo baixo. E o visual com barba eu gosto bastante de usar, porque favorece no alinhamento e na parte estética do meu rosto. Me ajuda, inclusive, a compor, junto com a vestimenta, um visual que, na minha profissão, é importante, porque eu lido com o público”, afirma o sócio-proprietário da PW Imóveis.

O personal trainer e surfista Felipe Bruno tomou a decisão de raspar a cabeça, porque já não estava mais legal, e se inspirou em vários artistas carecas e também no seu ídolo, o surfista Kelly Slater. (Foto Alle Tavares)
O personal trainer e surfista Felipe Bruno tomou a decisão de raspar a cabeça, porque já não estava mais legal, e se inspirou em vários artistas carecas e também no seu ídolo, o surfista Kelly Slater. (Foto Alle Tavares)

Novos padrões

A calvície masculina ocorre pela interação entre genética e hormônios, sendo potencializada por fatores como idade, estresse e má alimentação. No entanto, atores como Jason Statham e Bruce Willis, entre outros esportistas, celebridades e influenciadores, transformaram sua condição em marcas registradas, aliadas a um padrão estético que exige uma disciplina rigorosa. E tentar acelerar o processo para alcançar um corpo neste patamar sem orientação médica pode gerar diversos efeitos colaterais, incluindo a calvície.

O personal trainer Felipe Bruno Dias, além de carregar a genética do pai, que é careca, passou por um período de estresse agudo durante a faculdade de Engenharia. Aliado a isso, ele fez o uso de hormônios sem o devido tratamento com anti-DHT (di-hidrotestosterona), um hormônio derivado da testosterona responsável pela queda capilar. Entre os anos de 2020 e 2021, ele decidiu raspar os cabelos por completo e adotou o visual inspirado nos famosos.

Quando percebi essa queda de cabelo, tomei a decisão de raspar, porque já não estava mais legal. Vários artistas tinham esse visual, então me inspirei neles. E, como usei o Masteron (propionato de drostanolona), que aumentou os pelos corporais, deixei a barba crescer. Me sinto bem com esse visual e as pessoas comentam que estou melhor agora do que antes”, conta Felipe, que é fã do surfista Kelly Slater.

O empresário Hugo Belitardo já foi um calvo insatisfeito. Por volta dos 40 anos, decidiu raspar tudo e deixar a barba crescer para compor o visual. No início não foi fácil, mas hoje, curte o visual da careca e está em paz com o espelho. (Foto Alle Tavares)
O empresário Hugo Belitardo já foi um calvo insatisfeito. Por volta dos 40 anos, decidiu raspar tudo e deixar a barba crescer para compor o visual. No início não foi fácil, mas hoje, curte o visual da careca e está em paz com o espelho. (Foto Alle Tavares)

Lifestyle

Abandonar soluções nem sempre eficazes ou disfarces como bonés pode representar o fim de um ciclo de frustração. Hoje feliz com a aparência, o empresário Hugo Belitardo também já foi um calvo insatisfeito. Conhecido na adolescência pelo apelido de “Pipeline”, por conta do topete que lembrava o tubo de uma onda, aos 18 anos ele teve o cabelo raspado ao passar no vestibular para Engenharia Civil.

Sem recuperar o mesmo crescimento de antes, passou a travar uma verdadeira batalha para frear a perda dos cabelos com remédios. Até tentou, a pedido da sua mãe, um transplante que não teve o resultado que esperava. A partir daí, Hugo adaptou o visual com cortes baixos até enfrentar a máquina zero.

Por volta dos 40 anos, percebi nas fotos a marca da calvície em toda a parte superior da cabeça. Neste momento, vi que o próximo corte seria com a máquina zero. Desde a primeira raspada, vi que precisava da barba para compor. E gostei do conjunto. Não foi uma aceitação fácil, mas, desde então, sacramentei o visual da careca e estou em paz com o espelho”, relata.

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