Henrique Pontes criou um perfil nas redes sociais com fotos antigas de Macaé, que ganham novas cores em projeto sobre a memória da cidade. (Foto Alle Tavares)
Henrique Pontes criou um perfil nas redes sociais com fotos antigas de Macaé, que ganham novas cores em projeto sobre a memória da cidade. (Foto Alle Tavares)

Macaé em Cores: fotos antigas ganham vida e resgatam a memória da cidade nas redes sociais

Criado pelo professor de Geografia e pedagogo, Henrique Pontes, o perfil ‘Macaé em Cores’ resgata a memória visual da cidade por meio da colorização digital de fotografias históricas.

Colecionador de imagens antigas de Macaé há anos, Henrique decidiu aplicar técnicas de inteligência artificial aos registros em preto e branco, que documentam diferentes momentos da transformação urbana e social do município, por meio de uma nova experiência visual. “Me inspirei em um outro perfil do Instagram, que faz colorização artificial e usa inteligência artificial para colorizar fotos históricas da Primeira Guerra Mundial”, conta o professor nascido em Cabo Frio e morador de Macaé desde 1992.

Henrique Pontes usa técnicas de IA para colorizar e revitalizar fotos históricas de Macaé, como as mulheres com a rede na Praia da Imbetiba, ao lado do Grande Hotel Balneário, na década de 1960. (Arquivo)
Henrique Pontes usa técnicas de IA para colorizar e revitalizar fotos históricas de Macaé, como as mulheres com a rede na Praia da Imbetiba, ao lado do Grande Hotel Balneário, na década de 1960. (Arquivo)

A proposta da página vai além da restauração estética das fotografias. Ao atribuir cores às cenas antigas, Henrique busca provocar identificação, nostalgia e pertencimento entre os moradores, além de despertar nos mais jovens a curiosidade sobre as mudanças vividas pela cidade ao longo das décadas. O projeto transforma imagens antigas em registros próximos da realidade contemporânea, permitindo novas leituras sobre paisagens, personagens e espaços urbanos históricos.

A Rodovia Amaral Peixoto, na descida do antigo Viaduto, com o começo da Praia Campista, no início da sua ocupação, na década de 1980. (Arquivo)
A Rodovia Amaral Peixoto, na descida do antigo Viaduto, com o começo da Praia Campista, no início da sua ocupação, na década de 1980. (Arquivo)

Para realizar as colorizações, Henrique utiliza ferramentas de inteligência artificial aliadas a um processo de pesquisa e revisão manual, buscando alcançar o maior nível possível de realismo nas imagens. O trabalho envolve testes em diferentes plataformas, ajustes técnicos e correções feitas a partir de referências históricas e relatos de moradores que viveram em determinadas épocas da cidade. Muitas vezes, são essas memórias afetivas que ajudam a definir detalhes das fotografias, como as cores de casas, prédios públicos, ônibus e paisagens urbanas retratadas nos registros antigos.

A Mercearia Monteiro fez parte da história de toda uma geração, na década de 1980. Um dos principais comércios da Av. Rui Barbosa, no centro da cidade. (Arquivo)
A Mercearia Monteiro fez parte da história de toda uma geração, na década de 1980. Um dos principais comércios da Av. Rui Barbosa, no centro da cidade. (Arquivo)

Muitas das fotografias que utilizo não têm registros detalhados sobre a própria história, mas aquelas que retratam lugares conhecidos, carregam um valor muito grande. As ruas que ainda frequentamos, os casarões antigos — muitos deles já desaparecidos — revelam as marcas e as transformações da cidade ao longo do tempo. Essas imagens mostram como Macaé se desenvolveu e também o custo desse processo, evidenciando como a paisagem urbana foi sendo modificada para atender às necessidades da sociedade”, destaca Henrique.

O perfil também funciona como um espaço de troca de memórias e experiências sobre a cidade. Por meio da página @macae.em.cores, é possível compartilhar imagens antigas, relatos e informações que ajudam a reconstruir visualmente a história de Macaé.

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